Os Passos no Caminho da Meditação

Ao Leitor/Caminhante
o Texto abaixo é de autoria de Janine Milward ₢2004. 
Se você quiser copiar ou encaminhar, 
faça sempre na íntegra e sempre mencionando sua autoria e seus direitos reservados.
 Obrigada e Namaskar, eu saúdo você com minha mente e com meu coração.




Os Caminhos da Espiritualidade - II

Os Passos no Caminho da Meditação

Janine Milward

A busca da Interiorização e Fusão Plenas
com a Suprema Consciência

A única forma que temos de nos fusionar com a Suprema Consciência, com o Absoluto que criou O Criador e Sua Criação, é através da nossa interiorização também absoluta (que bem pode ser manifestada através de nossa meditação), fusionando nossa respiração interna e externa com a respiração do Criador, a inspiração e expiração que vão criando e re-criando os universos... bem como fusionando nosso espírito individualizado (nossa alma) ao espírito do Absoluto, a alma da Criação e do Criador.

O espaço entre o céu e a terra assemelha-se a um fole
É um vazio que não distorce
Seu movimento é a contínua criação (14)

Mas, lembre-se, Caminhante do Caminho da Bem-Aventurança, somente o Tao, Paramapurusa, a Suprema Consciência, é absolutamente interiorizado.... sempre estaremos em seu interior, e dessa forma, sempre a Suprema Consciência, Deus, é nosso interior e nosso exterior.


Consciência Infinita e Iluminada

Sendo o Tao nosso interior, acessá-lo é preciso através de nossa meditação e da expansão da nossa mente até que se torne infinita e iluminada.


Vida Infinita e Iluminada

Sendo o Tao nosso exterior, assemelharmo-nos a Ele é preciso através da tecedura de nosso Corpo de Luz, a transmutação do nosso corpo físico em corpo de pura luz até que se torne Vida infinita e iluminada.
Límpido como a existência eterna
Não sei de quem sou filho
Venho de antes do Rei Celeste (3)


Discípulo e Mestre

 Janine Milward


O mais correto, em relação ao processo da meditação e das práticas espirituais, é, primeiramente, ser iniciado por um mestre vivo e realizado ou por um ser devido representante, um professor espiritual. E em segundo lugar, realizar o trabalho sempre sob o seu acompanhamento. A mútua confiança entre mestre e discípulo é uma questão bastante importante de ser observada.

Esses mestres nem sempre estão ainda no Caminho da Imortalidade mas atingiram o Caminho da Iluminação ou estão muito próximo dele, podendo, assim, instruir seus discípulos e os Caminhantes sob sua proteção sobre como Caminhar seus Caminhos, como vivenciar seus Caminhos e suas Virtudes.

De uma forma geral, esse mestre vivo e realizado faz parte de uma Egrégora Espiritual que atua através de uma linhagem ininterrupta de mestres ao longo dos tempos – Guruampara – como elos de uma mesma corrente estruturada pela Tradição e pelos Mestres Imortais do passado.

O Mestre é aquele que, a princípio, realizou seu Caminho por si mesmo – possivelmente por já ter entrado na encarnação com a consciência iluminada e infinita e seu Elixir da Vida preservado.

Esses Mestres deixam suas marcas bem claras através de sua sabedoria revelada e de seus exemplos, porém, normalmente, não deixam marcas de seus corpos... por terem se tornado Imortais e terem ascendido.


As Horas mais recomendadas para a Meditação

 Janine Milward

                Por volta das quatro/cinco horas da manhã é a melhor hora para a meditação quando existe uma vibração sutil, espiritual, silenciosa e apaziguadora da mente. É chamada de "Brahma um’hu’rta", a hora de Brahma, a hora de Deus. No passado, todos os Yogis meditavam e realizavam suas práticas espirituais nessa hora.

               O momento de sentar-se no silêncio e praticar a meditação ainda revela a natureza adormecida, a escuridão da noite imperando, tudo está em repouso. Ao longo do tempo da meditação, os olhos semicerrados do Caminhante vão olhando para a noite interior de seu coração, de sua mente... enquanto algumas nuvens avermelhadas no horizonte leste passam a anunciar a vinda do Sol, o doador de Vida. Esse é um bom momento para se alcançar o Êxtase, a anunciação da Luz.

              Após o ápice da meditação, o Caminhante ainda continua envolvido em seu silêncio ao mesmo tempo que passa a escutar os sons que vêm do exterior, abrindo-se para o dia que começa com o canto do galo, o alegre acordar dos passarinhos, o retorno da luz.

              Porém, também a hora do cair da tarde proporciona um bom momento para a meditação, nos preparando para nosso sono da noite e dando uma acalmada na mente após um dia de trabalho e de ação.

             Dessa forma, as horas da "virada" da noite em dia e do dia em noite são as mais adequadas para a prática da meditação. É importante se manter o estômago vazio e de se estar limpo e banhado durante a prática espiritual.


A Boa Postura para a Meditação

 Janine Milward


             Ao sentar-se no silêncio, o Caminhante dá início ao seu Caminhar em seu Caminho. As costas ficam eretas e as pernas dobradas entre si formando um triângulo que bem assenta o homem à terra e liga sua cabeça aos céus – são as posições de lótus ou semi-lótus.

                  O Caminhante imita A Montanha, o símbolo da plenitude da quietude do Mestre em sua meditação... realizando em si um triângulo de forma a simbolizar a Sagrada Tríade: o princípio Primordial, o Tesouro do Espírito, o Te (o Conhecimento Sagrado) e o Mestre – aquele que realiza em si mesmo o Tao e o Te, o Princípio Primordial e A Virtude, O Tesouro do Espírito.

                 A Montanha funde-se plenamente com a Terra, ao mesmo tempo que está solidamente estruturada ela também chega até o ponto mais alto por onde se pode andar...

                 O Caminhante sente um cordão de ouro ou prata que surge a partir de seu chacra de base, atando a cada chacra subsequente até alcançar o chacra coronário e dali se estender até o céu, fazendo com que o homem esteja todo o tempo da meditação bem laçado entre a Terra e o Céu.

                 No entanto, tudo aquilo que se sente ao longo de todo o corpo físico é o vazio, algo ôco, realmente. A mente, principalmente, deve ser sentida como plenamente vazia, como se fosse um lago cavado no alto da montanha, aguardando ser preenchido pela água benfazeja das chuvas que vêm do céu. Nesse caso, a água seria um símbolo da sabedoria divina.
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                Certamente, existem casos de Caminhantes que não podem sustentar a coluna ereta sem a ajuda de um encosto, seja de cadeira ou de parede. Também acontece de muitas vezes, os Caminhantes não poderem cruzar as pernas em lótus ou em semi-lótus: nesses casos, podem se assentar com as pernas unidas em uma cadeira de madeira, com linhas retas, de preferência.
.....
                É interessante que o Caminhante saiba que pode realizar seu esforço de entrar no silêncio e em sua meditação, estando deitado ou mesmo andando...

               Em relação a estar deitado, isso deve acontecer mais para os casos de relaxamento total do corpo – sem que o Caminhante se permita que o sono tome seu corpo e sua cabeça; nesse caso, não estará em estado de meditação.

              Naturalmente, para aqueles Caminhantes que não podem andar ou sentar, recomenda-se que meditem mesmo deitados, por que não?

              A meditação andando é bastante interessante... mesmo que o Caminhante não consiga ir muito além em seu esforço de entrar no silêncio e em meditação: isso porque o andar haverá de requerer a ajuda da visão e esta não deixará que o Caminhante se interiorize por completo e que foque sua atenção no chacra do Terceiro Olho.

              Porém, no caso da meditação andando, caminhando, é possível todo o tempo a realização da inspiração e da expiração e a entoação interna do mantra pessoal ou externa do mantra universal!

           Recomenda-se, também, que a cada passo, o Caminhante vá sentindo que uma flor de lótus se abra, a cada passo...


O Mantra Pessoal 

 Janine Milward


Sentado em seu silêncio interior e absoluto, o Caminhante começa a entoar seu mantra essencial e pessoal, o Ista Mantra. Mantra é a palavra especial usada na prática espiritual: "man" significa ‘mente’ e "tra" significa ‘liberar’: aquilo que libera a mente de suas ataduras.

O mantra pessoal deve ser sempre ensinado pelo Mestre e pode ser transmitido através do professor espiritual ou o mestre iluminado ou no Caminho da Iluminação, inspirado pelo Mestre Imortal. São conhecimentos que passam de mestre para discípulo. Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece...

O mantra pessoal são duas pequenas palavras – uma para a inspiração e outra para a expiração – que traduzem profundamente a energia da pessoa – seu Dharma - em relação à totalidade do universo.

Esse mantra seguirá junto com o Caminhante ao longo de sua vida, durante todas suas meditações. E não apenas durante a meditação o mantra é essencial. Podemos pensar interiormente e falar intimamente nosso mantra pessoal a todo instante, todo o tempo, a cada inspiração e cada expiração, até a nossa última expiração...

Assim, o mantra deve ser pulsativo – de acordo com a respiração; ideativo – cada palavra pronunciada cria uma imagem mental a qual se refere; e vibratório – adaptado à vibração mental individual.

A Visão Interior voltada para o Chacra do Conhecimento

                  Na meditação, o controle e serenidade da inspiração e da expiração são muito importantes. Todo o tempo tem que haver uma concentração total no ponto do chacra que fica entre os olhos, o chamado terceiro olho.
                
                 Esse é o chacra do Conhecimento Ajna ou Jinana Cakra.


Inspiração e Expiração

              Inspirando e expirando o mantra focalizando o terceiro olho, trazemos para o interior de nossas mentes todo o conhecimento espiritual do universo que pode ser usufruído através de nossa meditação.
Seja suave e constante
usufruindo sem se apressar (15)

            A respiração, esse fole universal, é o Sopro Primordial, Pranah, Chi, a força vital, a energia primordial advinda do Absoluto, do Tao do Céu Anterior, do Mundo da Não-Manifestação, que existe em todo o universo e que nos é presenteada como uma benção a cada instante de nossa vida de encarnação, desde nossa primeira inspiração até nossa última expiração.

           Assim, o mantra que acompanha nossos passos durante as primeiras etapas da meditação, deve ser um mantra que nos traduza ao universo ao mesmo tempo que nos reproduza o som do universo instalado dentro de nós... a cada inspiração e com a palavra correta do mantra, trazemos a energia do universo para dentro de nós... a cada expiração e com a palavra correta do mantra, devolvemos ao universo a energia que reside dentro de nós...

O espaço entre o céu e a terra
assemelha-se a um fole
é um vazio que não distorce
seu movimento é a contínua criação (14)


A Energia Espiritual nomeada de Kundalini

 Janine Milward


A Kundalini é uma energia espiritual intensa que habita nosso coração, nossa essência, nosso espírito e nossa alma. Quando o Caminhante começa a Caminhar seu Caminho, essa energia vai desabrochando, despertando...

A cada vez que o mantra pessoal, o Ista Mantra, é repetido correta e devocionalmente, a energia espiritual da Kundalini se manifesta despertada, atuante. Isso porque o mantra traz uma determinada vibração que cria efeitos poderosos para a elevação da mente em níveis mais sutis.

              A forma psíquica da Kundalini em seu estado adormecido é conhecida como "serpente enroscada" e habita o Muladhara Cakra, ou seja, o chacra que se encontra na base da coluna vertebral ou primeiro chacra.

Ao longo dos vários estágios do processo da meditação, essa energia espiritual intensa vai se desenroscando e subindo através da coluna vertebral, passando e energizando todos os chacras até finalmente alcançar o Ajna Cakra, o chacra do terceiro olho, o chacra do Conhecimento.


O Espírito e o Sopro Primordial

 Janine Milward


Ainda durante as primeiras etapas da meditação, conservando o mantra, a mente sintonizada com o chacra do Conhecimento, conservando a inspiração e expiração fluindo harmoniosamente, concretizando o Sopro Primordial, ... existe também a presença atuante da consciência real – aquela que faz parte do universo e de nós mesmos... Essa consciência é chamada de espírito.

O Espírito traz consigo a essência do Sublime Yang, O Criativo, A Luz, e a Alma, a essência do Sublime Yin, o Receptivo, a Não-Luz. A fusão de ambos forma o Tai Chi, o Mundo da Manifestação advindo da Mente Cósmica, o Tao da Criação, que espelha a Suprema Consciência, o Tao.

Ao longo da meditação, a consciência real, o Espírito, e a respiração, o Sopro Primordial, A Alma, vão formando um processo de fusionamento de tal maneira que em um determinado momento, se fusionam totalmente e se tornam Um: é o momento da Fixação, o doce momento da conscientização plena acerca do Mundo da Manifestação. Essa plena conscientização atuará como ponte para se transpassar o Portal adentrando o Mundo da Não-Manifestação, o ápice da meditação.

O corpo físico é o invólucro que abriga a Alma coletivizada ao longo da mutação do universo e das encarnações... bem como a Alma possui sua ligação eterna com o Espírito Unitário, a Mente Cósmica. No momento da meditação, a Alma dentro do corpo físico procura sua união objetivada com o Espírito para que, desta forma, o Caminhante possa bem realizar a fusão entre o Mundo da Manifestação e o Mundo da Não-Manifestação.

Também podemos compreender que o Espírito seja o fogo e o Sopro Primordial seja a água. A melhor fusão entre o fogo e a água que conhecemos é esse Planeta Terra que nos acolhe, que nos proporciona a vida acontecendo dentro da plena materialização. E por isso mesmo, a Terra é uma Estação de Trabalho e de Iluminação.


A Fixação

 Janine Milward


Não podemos nos esquecer de que nossa Sadhana – a Meditação e o Trabalho Espiritual – requer um esforço grande, perseverança, trabalho aliado à alegria. E certamente tudo isso requer um grande tempo para realmente poder acontecer, de forma que o Caminhante consiga, em dado momento, sentir que a meditação começa a acontecer de forma mais simples, mais sem esforço o Caminhante consegue se ver livre dos pensamentos que o acometem durante os primeiros passos da meditação, das dores no corpo, nas pernas cruzadas, na coluna que precisa se manter ereta..., e fundamentalmente, da preguiça...

Lao Tsé nos diz em seu Capítulo 64 do Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude, que

...uma longa jornada começa com o primeiro passo...

O Caminhante, então, se permite atravessar semanas, meses, anos, e até décadas, buscando a melhor interação entre sua postura correta, a correta inspiração e a correta expiração, a entoação correta do mantra pessoal, a focalização no Terceiro Olho, a ponta da língua tocando o céu da boca ao mesmo tempo que um vago sorriso permanece na boca e os olhos ficam semi-cerrados, quase fechados, porém quase.... ficam levemente abertos, deixando o branco aparecer um pouquinho (porque as pupilas estarão voltadas para o alto, para o ponto entre as sobrancelhas, o chacra do conhecimento).

Quando todo esse processo realmente acontece corretamente e o Caminhante não se vê envolvido por seus pensamentos mas apenas voltado para a sua plenitude de interiorização – e muito tempo se leva para alcançar todas essas dádivas – acontece o início da fusão do coração com a respiração!
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Compreendemos, então, que o coração se transubstancia em Espírito que por sua vez advém do Espírito da Mente Cósmica.... E compreendemos que nossa respiração transubstancia-se em Sopro Primordial, o Pranah, o Chi – a força vital que reina na Criação – e a sustenta!

Esses são, então, o Espírito e a Alma.
.......

            Não nos esqueçamos que o Mundo da Não-Manifestação é um estado puro de onde se origina a Criação advinda do Mundo da Manifestação. Ao surgir a manifestação dos primórdios da Criação, com ela se objetiva a Mente Cósmica. Assim, a Mente Cósmica é uma objetivação para agir e nomear a Suprema Consciência dentro do Mundo da Manifestação... surge Brahma, a Consciência Cósmica, literalmente "O Grande".  Sob o Tao, podemos nomear essa Consciência Cósmica como o Rei Celeste.

Existe, então, o Mundo da Não-Manifestação, Nirguna Brahma ou Wu Chi– a Consciência Cósmica não-manifesta – que faz nascer o Mundo da Manifestação, Saguna Brahma ou Tai Chi– a Consciência Cósmica manifesta.

Brahma desmembra-se em dupla qualidade manifestada através de sua própria consciência objetivada em Eu Sou: Purusa. E através de sua capacidade, potencial ou objetiva, de manifestar sua capacidade de expressão: Prakrti, a energia cósmica.

Se retornarmos ao Capítulo O Tao e a Criação do Céu e da Terra,  veremos que o Sublime Pai gera toda a Criação trazendo a Luz da Vida através de seu sentar no Vazio, colocando-se no Revirão entre o Mundo da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação e assim propiciando a Sublime Mãe criar e re-criar a Não-Luz em toda a Criação, o universo, preenchendo os buracos do céu com estrelas e moldando seus filhos, tudo sempre a partir do barro....

A Luz gerada por Purusa em sua consciência objetivada, o Sublime Yang, traz a vida a tudo aquilo que Prakrti, o Sublime Yin, molda em sua energia cósmica: a Criação.

Assim, o Sublime Yang, a Luz, manifesta o Rei Celeste ou Brahma como sua consciência objetivada em Eu Sou, Purusa, trazendo a Luz da Vida para a Criação que o Sublime Yin, a Não-Luz manifesta através de sua capacidade de expressão e seu princípio operativo, a energia cósmica, Prakrti, a Mãe Misteriosa.

            Poderíamos, também, compreender que Tempo, Sublime Yang, Espírito, seriam outras formas de expressar Purusa, o Rei Celeste, a consciência objetivada dentro do Mundo da Manifestação, a geração e doação da Luz e da Vida.

            Da mesma forma, poderíamos, também, compreender que Espaço, Sublime Yin, Alma, seriam outras formas de expressar Prakrti, a Mãe Misteriosa, o princípio operativo da Criação através de sua energia cósmica dentro do Mundo da Manifestação, a criação da Vida através da Não-Luz.
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Dentro da meditação, a fusão entre o Espírito e o Sopro Primordial, a Alma, acontece assim como se fôssemos a própria Terra vivente dentro de nós, a totalidade do universo, a sublime fusão entre o Mundo da Manifestação e o Mundo da Não-Manifestação através de sua expressão de Criador e Criação: essa é a Fixação.

Não tenha dúvida, Caminhante: a Fixação pode ser compreendida na teoria porém só pode ser realmente sentida em sua plenitude na verdadeira prática! Assim, quando a Fixação chegar até você... acredite nela. E não somente acredite nela, sinta-a profundamente, leve até seu cérebro e lá grave as impressões verdadeiras sobre este novo sentimento e esta nova sensação que lhe invade o Corpo e a Alma e o Espírito e o Ego! Grave a Fixação em seu coração.

E saiba: somente através a Fixação é que tem início a verdadeira meditação! E esse é um longo processo, demorou bastante tempo e lhe rendeu muito trabalho espiritual, certamente. A Fixação é um presente do céu!
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Assim, o Espírito e o Sopro Primordial, a Alma, se tornam um só corpo doador de vida. O sentimento de se alcançar a Fixação é supremo, quase valendo como a chegada até o Êxtase espiritual. E por que?

- O momento da Fixação é fundamental para que a meditação possa ter seu verdadeiro início!

Apenas quando nos tornamos a verdadeira fusão entre o Espírito e o Sopro Primordial, entre o fogo e a água, entre o Espírito e a Alma, entre o tempo e o espaço, entre a Luz e a Não-Luz da Criação..., é que finalmente estamos prontos para a verdadeira meditação.

O passo seguinte será o de irmos gradualmente tentando, a cada dia de prática na meditação, alcançarmos novamente e ‘segurarmos’ a Fixação, esse doce sentimento de estarmos penetrando no nada...

A princípio, sentimos a Fixação apenas como se fosse um milésimo de segundo nos perpassando e nos adentrando no Vazio... Depois de algum tempo, ou de bastante tempo, vamos conseguindo aumentar mais e mais o tempo da Fixação.
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A Fixação, de uma maneira geral, acontece quando o Caminhante está pronto para receber – senão já recebeu – sua Quarta Lição de Meditação – Pranayama.
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A Fixação é como se o Caminhante estivesse saindo de casa, tomando seu ônibus ou um automóvel, para levá-lo até a rodoviária ou aeroporto.... Ali, na rodoviária ou no aeroporto, o Caminhante já tem a sua decisão para o lugar aonde deve e quer realmente chegar. A Fixação é o sentimento do Caminhante ao chegar à rodoviária ou ao aeroporto, ou seja, teve que comprar seu bilhete, preparar sua bagagem, se colocar em direção ao local onde realmente sua viagem terá o seu começo... e embarcar! Nesse caso, sua viagem o estará levando ao Retorno à Fonte Primordial, à fusão com a Suprema Consciência, à mente infinita e iluminada e à vida infinita e iluminada!


As Rodas do Moinho

 Janine Milward


Outras questões fazem parte também das etapas da meditação e podem ser reconhecidas como deveras importantes para a realização do Caminho: em dado momento, já quando alcançamos e conservamos a Fixação, nosso corpo recebe ondas de energias intensas que são denominas de "Rodas do Moinho".

Essas Rodas do Moinho se apresentam durante um certo tempo em nossas meditações – e se elas se apresentam é porque estamos no bom caminho de aprofundamento da meditação – e servem para energizar todo o corpo físico e etérico, chacoalhando mesmo de tal forma o Caminhante que medita, que a pessoa deve fazer um enorme esforço para não se desviar da Fixação e deixar que essas Rodas do Moinho façam seu trabalho de limpeza interior e exterior.

Então, existe o retorno da calma, da tranqüilidade do corpo físico e da mente. Nessa etapa da meditação, o Caminhante já se encontra pronto para espelhar o Céu na Terra.
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As Rodas do Moinho passam a acontecer quando o Caminhante está pronto para receber – senão já recebeu – sua Quinta Lição de Meditação.


O Êxtase Espiritual – Samadhi

 Janine Milward


É o momento da Iluminação que leva imediatamente ao Vazio.

O Caminho é o Vazio (3)
nos diz Lao Tsé. Assim é o Tao.

Assim, o verdadeiro êxtase espiritual – Samadhi – se dá não exatamente através da Luz intensa que o praticante espiritual se sente banhado.... Essa Luz pode ser percebida como o Sublime Yang abençoando o Caminhante!

No entanto, após ter sido banhado por esta Luz tão intensa e divina, o Caminhante penetra na Não-Luz – percebida como o Sublime Yin – e somente então, penetra no verdadeiro Vazio!

É´ dentro do Vazio, que o Caminhante se fusiona à Paramapurusa, ao Tao da Criação, à Mente Cósmica. É´ dentro do Vazio que não se sente absolutamente nada, aonde o Nada e o Tudo se mesclam, é um lugar para além do além, sobre o sentimento que não se pode falar porque nem se saberia como...

Assim é o Tao e esse é o verdadeiro Êxtase Espiritual.
No entanto, Lao Tsé nos afirma em seu Capítulo 40:
O Retorno é o movimento do Caminho

Dessa forma, tão logo acontece o verdadeiro êxtase espiritual, novamente surge a Luz!

Uma vez mais o Caminhante é abraçado e abençoado pelo Sublime Yang que o faz retornar à sua consciência planetária, desta vez extremamente expandida e iluminada e infinitizada em função da fusão da verdadeira Luz com a verdadeira Não-Luz, o verdadeiro Tai Chi – a plenitude do Mundo da Manifestação.

E Através do Portal do Revirão, o Mundo da Manifestação fusiona-se ao Wu Chi, o Mundo da Não-Manifestação.


O Elixir da Vida

 Janine Milward


É preciso saber conservar a Fixação mais e mais, cada vez mais tempo, para que seja formado o Elixir da Vida, uma energia vivente e objetivada, de total fusão entre o Espirito e o Sopro Primordial, a Alma, o começo de tudo e o fim de tudo, o Tao da Criação, o Elixir da Vida, a verdadeira essência da Vida.

Voltando ao exemplo da Terra, Planeta de Trabalho e de Iluminação, ser formada por fogo e água e materializada de tal maneira a poder receber a Vida em si mesma..., é assim que acontece entre a fusão do Espírito e o Sopro Primordial, trazendo a Fixação: Somos a própria Terra! E a Vida que passa a acontecer em nós e que nos torna co-autores da Criação pode, então, ser compreendida como o Elixir da Vida!

Dentro da Fixação e banhado pelo Elixir da Vida, o homem tem seu momento de Êxtase Espiritual, Samadhi, o motivo pelo qual o Caminhante Caminha seu Caminho, o encontro com seu Tao interior.

Todos esses passos, todo esse caminho de prática espiritual é verdadeiramente longo!

Lao Tsé nos diz em seu Capítulo 64 do Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude:

Uma viagem de mil léguas começa com o primeiro passo.

Com isso, podemos entender que esse primeiro momento de prática espiritual na meditação nos toma um grande número de anos em nossa vida! Até podermos alcançar a Fixação e a mantermos bem segura quando meditamos, propiciando assim, a criação e existência do Elixir da Vida, certamente muito, muito tempo se passou! E dessa forma, é possível que saiamos da encarnação ou antes ou depois de termos adquirido e nos conscientizado acerca da Vida infinita que existe potencialmente dentro de nós, advinda do Elixir da Vida.

No entanto, o Elixir da Vida já nos proporciona o alcance do Caminho da Iluminação, nos trazendo mente e consciência iluminadas e infinitas. Assim, em um novo nascimento, o Espírito e a Alma já estarão de tal forma bem fusionados, que o ser, através de seu ego e de seu corpo – e certamente da boa preservação do Elixir da Vida e da consciência iluminada e infinita – pode dar prosseguimento ao seu trabalho espiritual, traçando, então, seu Caminho de Liberação ou Imortalidade.

O Elixir da Vida é como a essência que se extrai da fusão do Espírito do Tao e da Unidade Absoluta da Criação – Shiva – com a Alma que faz parte da coletividade da Criação – Jiiva. O Elixir da Vida é a essência fundamental, o cerne da Criação. Quando conseguimos alcançar o Elixir da Vida, nos tornamos co-autores da Criação... porque podemos criar a vida dentro de nós a partir da Luz contida no Elixir da Vida.

De uma forma geral, os Mestres já nascem com a consciência iluminada e infinita e seu Elixir da Vida preservado. Os mestres (com m minúsculo) são aqueles que ainda nesta vida do aqui-e-agora estão trilhando seu Caminho da Iluminação e sua busca do Elixir da Vida.

...

            Uma querida amiga minha, fez um belíssimo e imenso canteiro de rosas de todas as cores em frente ao casarão bicentenário da fazenda onde mora no interior do Estado do Rio.    em seus 91 anos de idade, minha amiga passa as manhãs andando, vagarosamente, ao longo desse canteiro, encantando-se com a cor das rosas e seu perfume maravilhoso..., e sempre rezando, sempre com seu terço nas mãos, passando conta a conta, com seus dedos ainda céleres e fervorosos.  Ela sabe da aproximação de seu final de tempo na Terra – mesmo que reze para que possa ainda viver mais dez bons anos...

            Eu fiquei feliz ao ver seu belo canteiro de rosas e pude em minha querida amiga sentir uma energia intensa de força de iluminação e infinitude de sua mente e lhe disse, ao pé do ouvido: minha querida, não tenha medo de sua passagem, você está pronta a levar todas as suas rosas consigo.  Ela me olhou, meio sem entender o que eu queria dizer com minhas palavras.  Eu continuei: certamente você não estará levando consigo as rosas em si, mas sua essência...  As rosas ficarão na fazenda, no belo canteiro, porém a essência das rosas você estará levando consigo, em sua mente, marcada para sempre.  Essa essência é o Elixir da Vida.


Meditação: do Vazio à Luz  e ao Retorno ao Vazio

 Janine Milward


O quase-ápice da meditação, seu quase-momento de êxtase absoluto, Samadhi, é assim como uma semente – o Vazio - que, em seu momento de naturalidade sob o Tao, explode em vida e em luz radiantes...  Essa Luz é assim como se olhássemos o Sol, nossa mais próxima estrela, com nossos olhos desnudados, recém saídos da escuridão da Não-Luz que prenunciou a semente do Vazio.  Porém, ó Caminhante, sabemos que não devemos olhar diretamente para o Sol sob pena de cegarmos nossa visão...   No entanto, por uma fração mínima ou máxima de um tempo e espaço da Criação, estivemos envolvidos pela Grande Luz do Tao da Criação..., assim como se também estivéssemos nos lembrando do momento exato da Grande Explosão que fez nascer nosso universo, a partir da semente do Vazio.

A semente do Vazio é, sabemos todos, plenamente preenchida pela Luz e Não-Luz do Tao da Criação.  Assim, o quase-momento de êxtase absoluto, Samadhi, na meditação, faz acontecer toda a vida do nosso universo sendo vivenciada em nossa mente, em tempo e espaço, como se fosse um raio que surge, inesperadamente, cortando o firmamento, e que, num piscar de olhos, desaparece... sem antes deixar impressa em nossa mente sua Luz, porém.

Podemos dizer que toda a vida do universo que pertencemos acontece, desde sua explosão de luz até seu vazio de plenitude de não-luz, durante o tempo e o espaço desse quase ápice, quase-êxtase, quase Samadhi...  Não podemos nos esquecer, porém, que estamos falando da Criação, do Mundo da Manifestação...

O verdadeiro ápice da meditação, seu momento de êxtase sublime, Samadhi, acontece realmente dentro do Vazio.

(Não podemos nos esquecer que o Vazio é o Tao – e que sobre o Tao não podemos e não temos como nos expressar... somente que este Vazio está para ainda além do Mundo da Não-Manifestação...)

O Caminho é o Vazio
E seu uso jamais o esgota (3)

Com um abraço estrelado,
Janine Milward

Ao Leitor/Caminhante: o Texto acima é de autoria de Janine Milward ₢2004. Se você quiser copiar ou encaminhar, faça sempre na íntegra e sempre mencionando sua autoria e seus direitos reservados. Obrigada e Namaskar, eu saúdo você com minha mente e com meu coração.