O Trabalho Espiritual

Ao Leitor/Caminhante: o Texto abaixo é de autoria de Janine Milward ₢2004. Se você quiser copiar ou encaminhar, faça sempre na íntegra e sempre mencionando sua autoria e seus direitos reservados.
Obrigada e Namaskar, eu saúdo você com minha mente e com meu coração.



O Caminho da Espiritualidade - 1

O Trabalho Espiritual e a Meditação

 Janine Milward


Criação do Universo: A Meditação do Criador

Somente O Tao é absolutamente interiorizado.

O universo, a Criação, não é mais do que um momento, doce momento de êxtase, na meditação do Criador, o Rei Celeste, advindo do Tao, da Consciência Suprema, de Paramapurusa, de Deus.

O êxtase, Samadhi, o momento máximo da meditação, é um momento inicialmente de imensa Luz e no instante seguinte, de imenso Vazio.

Da Luz inicial em seu Big-Bang ao Vazio do apagamento de todas essas luzes estelares e permanência da escuridão, existe a vida de um universo. A vida de um universo é um momento aparentemente eterno de tão imenso e sem fim.... No entanto, para o Tao, a Suprema Consciência, Paramapurusa, para o Criador do Criador e de toda a Criação, a vida de um universo é apenas o ápice de Sua meditação, seu momento de Iluminação que encontra dentro do Vazio.

E a repetição da respiração do Tao, Paramapurusa, Suprema Consciência, vai se seguindo, eternamente - pois que apenas o Tao possui a verdadeira eternidade, a Imortalidade que cria O Criador e que o leva a criar A Criação.

Para o Tao, Paramapurusa, para a Consciência Suprema, para Deus, nada existe além de Si ou que não esteja dentro de Si. Apenas o Tao, Paramapurusa, A Suprema Consciência, possui a absoluta interiorização: O Criador e A Criação estão sempre contidos dentro Dele, nunca fóra.

Assim, a única forma que temos de nos fusionar com Paramapurusa, com a Suprema Consciência, com o Absoluto que criou O Criador e Sua Criação, é através da nossa interiorização também absoluta – fundamentalmente através de nossa meditação, fusionando nossa respiração interna e externa com a respiração do Criador, a inspiração e expiração que vão criando e re-criando os universos...

Nossa Iluminação nos traz consciência infinita porém ainda atrelada à inspiração e expiração primeira e última dentro de nossa evolução no universo... Nossa Imortalidade nos traz não apenas a consciência plena e infinita mas principalmente, nossa vida infinita e em absoluta plenitude.

Dessa forma, ao alcançarmos os Caminhos da Iluminação e da Liberação ou Imortalidade, nos fusionaremos de tal forma com Paramapurusa, com a Consciência Suprema, que estaremos, junto ao Criador, criando um novo universo, tornando-nos a Luz primeira e o Vazio último desse universo a vir-a-ser.

Mas, lembre-se, Caminhante do Caminho da Bem-Aventurança, somente o Tao, Paramapurusa, Deus, é absolutamente interiorizado.... sempre estaremos em seu interior, e dessa forma, sempre o Tao, Paramapurusa é nosso interior e nosso exterior.

Sendo o Tao, Paramapurusa nosso interior, acessá-lo é preciso através de nossa meditação e de nossa Iluminação. Sendo o Tao, Paramapurusa nosso exterior, assemelharmo-nos a Ele é preciso através da tecedura de nosso Corpo de Luz e da nossa Imortalidade.

Esses são O Caminho da Iluminação e O Caminho da Imortalidade.


O Mestre e seus Discípulos

O Mestre é como um grande rio que caminha para o mar, o Tao da Criação, carregando consigo seus discípulos, os outros pequenos rios (os mestres), os riachos (os pequenos mestres), os regatos (os iniciados), os olhos d’água (os iniciantes)...

O Caminho da Espiritualidade começa assim como um pequeno olho d’água que surge naturalmente – assim como o Tao – em qualquer lugar, no vale ou na montanha. Esse pequeno olho d’água vai avolumando seu líquido transparente, cristalino, formando quase como um pequeno lago, escondido pelas plantinhas e pelo capim molhado. Então, porque o volume de águas ainda crianças cresce, passa a escorrer, andar, correr alegremente, buscando sempre as brechas mais profundas entre a terra agradecida por sua passagem, por seu desfilar carregando vida.

Correndo, correndo, sempre buscando por lugares mais baixos, essas crianças-águas vão se empurrando, enrolando, marolando, montanha abaixo, saciando nos morros verdes a sede do gado que pasta, buscando os vales, enveredando pelas matas, encantando pedras e criando peixes.

Ao longo de seu caminho, o regato vai encontrando seus outros amigos, outras águas já adolescendo, crescendo, avolumando, espelhando em seus pingos as nuvens corredeiras dos céus que lhes cobrem por todos os lugares por onde vão passando, desfilando, já cantantes e cada vez mais alegres e agradecidas pela vida que vão esparramando em suas margens, criando margens... é agora um riacho.

Chega o momento em que essas águas-adolescentes tonam-se maduras, crescidas e recebem sua maioridade através o nome de rio.

O rio é sempre o encantamento de todos os seres, é a certeza da continuidade da vida, é a compreensão mais clara e límpida e transparente do ciclo da própria vida: águas que descem dos céus expulsas pelas chuvas, que criam olhos d’água, que formam lagos que derramam e correm pelas terras encontrando-se com suas outra águas amigas e vão se tornando um rio, vida de rio que cria a vida.

O rio continua seu caminho em seu desfilar mais garboso, mais sério, mais amadurecido. Vai também encontrando seus amigos-rios de águas alforriadas que se juntam; cada vez mais avolumando, encorpando, crescendo, amealhando vida para mais e mais vida fazer acontecer.

Finalmente, o volumoso rio encontra seu rio-mestre chamado de mar, aquele que sempre o atraiu, desde que nasceu como vida manifestada em pequeno olho d’água, esquecido em algum lugar, quase oculto, porém sempre vivo.

O mar, o mestre das águas, chama para si todos os rios que já chamaram para si todas as outras águas que lhes eram vizinhas.... Ali, sob e sobre o mestre das águas - o mar, - os rios descansam, se misturam, se despersonalizam, perdem seus nomes, perdem a cor de suas águas, perdem seu volume, perdem suas ondinhas corredeiras que outrora correram cantantes por todas as pedras, superando todos os obstáculos – vida que sempre traz vida.

Na imensidão do conjunto de todas as águas - o mar - tudo se torna sempre da cor do céu, ora azul, ora plúmbeo, ora cor de nada nem de ninguém, cor de dia, cor de noite, cor do mar.

No mar, os rios encontram outros seres, outras vidas, continuam a ser vida que cria vida.

Até que um dia, aquela águinha ... que um dia foi rio, que um dia foi riacho, que um dia foi regato, que um dia foi um olho d’água.... sobe para o céu, assim como se fosse uma sutil fumaça, para tornar-se a fumaça das nuvens sutis que haverão de correr pelos céus, brincando sempre com a terra, prometendo um dia voltar, em um pingo de chuva, lágrima do céu, vida que sempre renova a vida.
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O Caminho da Espiritualidade começa assim como um pequeno olho d’água que surge naturalmente – assim como o Tao – em qualquer lugar, no vale ou na montanha.

Ao formar um pequeno lago, o Caminhante passa a ter a consciência sobre si mesmo, em sua Missão de Encarnação na Terra – porque agora já pode espelhar o céu!

O pequeno lago sempre vai encontrar uma brecha por onde suas águas sempre crescentes vão começar a realizar seu Caminho.

Quando o regato encontra seus amigos – sua família espiritual – torna-se um riacho.

Sempre correndo através os campos, o riacho vai cada vez mais encontrando-se com sua família espiritual, seus amigos, tornando-se mais e mais encorpado até que é alforriado, já plenamente amadurecido em suas águas, como rio.

O Mestre é como um grande e volumoso rio que corre recolhendo todas as águas vicinais que se lhe aproximam, que buscam por essa absoluta fusão.

O grande rio, no entanto, o Mestre, também continua percorrendo seu próprio Caminho carregando consigo todos os seus discípulos – olhos d’água, regatos, riachos, outros pequenos rios.....

              Entre esses outros pequenos rios e mesmo entre os riachos e simples regatos e até mesmo entre os olhos d’água também existem mestres caminhando seus Caminhos da Espiritualidade. Podemos então chamá-los de pequenos mestres ou mestres. No entanto, Mestre é o grande e volumoso rio, prestes a desembocar na imensidão do mar e lá se fusionar plenamente...

O Mestre é aquele que demonstra em si mesmo o ciclo da vida através da vida que nos é dada e sempre devolvida através das águas. Fundamentalmente, o Mestre nos mostra que durante sua vida, ele atrai para si todas as outras águas dispersas no Caminho.... e ao final de sua vida, fusiona-se plenamente com o mar, com o Tao da Criação, em total desapego de sua identidade individual, voltando a fazer parte do tudo, do todo e do nada do Vazio – ao retornar aos céus sem mesmo poder ser visto pelos outros seres, em forma de fumaça sem cor, sem forma, sem nada.

Apenas um Vazio. O Caminho é o Vazio. O Caminho é o Tao.


Quando o Discípulo está pronto, o Mestre aparece

Guru e Acarya – o Mestre e o Professor Espiritual

Quando chega o momento de o Caminhante entrar em contacto de forma mais intensa com sua espiritualidade, é realizada a Iniciação Espiritual na Meditação. A Iniciação é um verdadeiro renascimento!

Tradicionalmente, a Iniciação era ministrada diretamente pelo Mestre, o Guru. Quando isso não é possível de acontecer, o monge ou monja ou o professor espiritual servem como Acarya – aquele que ensina através de seu próprio exemplo – do Guru.

É bom lembrarmos que sempre que o discípulo está pronto, o mestre, o Guru aparece – seja pessoalmente, quando possível, ou seja através de um seu representante espiritual nomeado adequadamente, o Acarya.

O Acarya é o representando do Guru e o Guru é o representante de Brahma, de Deus, da Consciência Cósmica. Brahma é uma palavra em sânscrito e significa literalmente ‘grande’. Brahma é o ser superior que está dentro de cada um de nós, e que no entanto, devido ao véu de ignorância, não podemos perceber o guia que existe dentro de nós e assim precisamos da ajuda de um mestre realizado. Através do Guru, Brahma se manifesta totalmente.

Guru é uma palavra em sânscrito que significa o mestre espiritual iluminado e que tem, portanto, o dom de guiar seus discípulos em direção á iluminação. "Gu" significa aquele que dispersa e "ru" significa escuridão. Aquele que dispersa a escuridão, que traz a Luz, que aponta o Caminho da Luz, da Iluminação, esse é o Guru.

Sânscrito é uma língua construída há milhares de anos atrás de uma tal maneira que trouxesse uma expansão da consciência. Os antigos yogis concentram-se profundamente e meditaram intensamente até encontrarem 49 glândulas sutis encravadas nos sete chacras do corpo humano. Cada glândula possui um determinado som, uma vibração sonora percebida pelos mestres yogis e condensadas em 49 letras de um alfabeto que deu estrutura à língua sânscrita. Sânscrito – Sam’skrt – significa "bem feito, bem realizado".

O Guru pode ser um grande mestre ou simplesmente um bom mestre.

O grande Mestre, o Guru verdadeiro, é aquele que tem o poder de doar a Liberação – Mukti - ao aspirante espiritual – Sadhaka – que cumpre com sua jornada de trabalho de meditação cotidiana, de práticas espirituais e de modo de vida espiritualmente orientado.

A Liberação é o desenlace total dos Samskaras acumulados de forma que o aspirante espiritual possa alcançar a Consciência Suprema ainda nesta vida. Karma é ação e Samskara é a reação em potencial.

             Assim, no momento da Primeira Iniciação na Meditação, o aspirante espiritual, o Sadhaka, recebe de seu Acarya representando seu Guru, as instruções para a realização de seu trabalho espiritual, sua Sadhana.


Mantra Pessoal e Mantra Universal

Sentado em seu silêncio interior absoluto, o Caminhante começa a entoar seu mantra essencial e pessoal, o Ista Mantra.

O mantra pessoal são duas pequenas palavras de apenas uma sílaba cada uma – para a inspiração e para a expiração – que traduzem profundamente a energia da pessoa em relação à totalidade da Criação.

Esse mantra seguirá junto com a pessoa ao longo de sua vida, durante todas as suas meditações. E não apenas durante a meditação o mantra é essencial. Podemos pensar interiormente e falar intimamente nosso mantra pessoal a todo instante, todo o tempo, a cada inspiração e a cada expiração, a té a nossa última expiração...

Assim, o mantra dever ser pulsativo – de acordo com a respiração; ideativo – cada palavra pronunciada cria uma imagem mental a qual se refere; e vibratório – adaptado à vibração mental individual.

O Ser Supremo é Um, e se chama OM. O mais elevado mantra é OM: A-U-M. Todos os outros mantras emanam de OM. Todos os mantras os quais nós possamos pensar, de fato todas as línguas, se encontram ocultas nessa única sílaba cósmica: OM.

No entanto, podemos ser iniciados dentro do mantra OM, sim, mas comumente existem outros quatro mantras em sânscrito que melhor se adequam às diferentes personalidades dos Caminhantes. Enquanto OM seria mais indicado para Caminhantes que já possuem uma consciência bastante expandida, realmente. Porém o mantra OM pode ser entoado grupalmente, por exemplo, quando se quer elevar o estado espiritual de um grupo de pessoas.
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No Tantra, Krishna, Raama, Shiva ou Devi são os tipos básicos de personalidade identificados com essas deidades que representam aspectos de Paramapurusa, Brahma, a Consciência Suprema manifestada.

Raama identifica os Caminhantes bastante voltados para suas realizações planetárias no sentido familiar, da verdadeira união física e espiritual entre o homem e a mulher, marido e esposa e filhos. Nesse caso, o Ista Mantra será entoado através do Raama Mantra.

Shiva identifica os Caminhantes mais introspectivos que procuram realizar suas vidas mais distante das cidades, longe dos aspectos sociais, longe do barulho, mais próximos ao silêncio e à interiorização. Nesse caso, o Ista Mantra será entoado através do Shiva Mantra.

Krishna identifica os Caminhantes voltados para tudo aquilo que a sociedade pode nos oferecer ao longo de nossa vida: é uma pluralidade de escolhas e ações socialmente realizadas.

Durga ou Devi identifica os Caminhantes mais voltados para os aspectos Yin, femininos, da grande mãe simbólica no sentido da proteção aos filhos do mundo, da compaixão e do amor, da imensa sensibilidade da energia feminina como um todo. Nesse caso, o Ista Mantra será entoado através do Devi Mantra.
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Obviamente, sendo o mantra passado através do ato da Iniciação entre mestre e discípulo e fundamentalmente sendo um mantra absolutamente pessoal, suas duas palavras são conhecidas apenas no ato da Primeira Lição. Também é importante que este mantra seja guardado intimamente como um segredo do coração do Caminhante, preferivelmente sendo entoado ao longo de toda sua vida, principalmente na hora de suas últimas inspiração e expiração...

Certamente entendemos que existem mantras nas diferentes línguas para se adequarem aos também diferentes aspectos da espiritualidade e da religiosidade.

                                                 Mantra Universal

Existem os mantras vários chamados de "universais", ou seja, que podem ser entoados em voz alta, em grupos ou solitariamente, privadamente ou socialmente.

Srii Srii Anandamurti nos ensina o mantra universal para o Caminho da Bem-Aventurança:

BABA NAM KEVALAM

que significa Somente a Suprema Consciência Existe – A Suprema Consciência a tudo permeia – Somente existe amor divino...... Baba quer dizer "pai amado".

Esse é um mantra para ser entoado a todo momento, em todos os lugares, em voz alta, cantando, tornando-o letra de todas as peças musicais, dançando o Kiirtan... ou mesmo apenas dizendo o mantra interiormente.


O Despertar da Kundalini

A cada vez que o mantra pessoal, o Ista Mantra, é repetido correta e devocionalmente, a energia espiritual da Kundalini se manifesta despertada, atuante. Isso porque o mantra traz uma determinada vibração que cria efeitos poderosos para a elevação da mente em níveis mais sutis.

A Iniciação é o momento quando a potencialidade espiritual que existe dentro de nós e acordada – a Kundalini é despertada.

A forma psíquica da Kundalini em seu estado adormecido é conhecida como "serpente enroscada" e habita o Muladhara Cakra, ou seja, o chacra que se encontra na base da coluna vertebral ou primeiro chacra. Ao longo dos vários estágios do processo da meditação, essa energia espiritual intensa vai se desenroscando e subindo através da coluna vertebral, passando e energizando todos os chacras até finalmente alcançar o Ajna Cakra, o chacra do terceiro olho, o chacra do Conhecimento.


As Lições de Meditação e as Seis Iniciações Espirituais

             Os chacras – em sânscrito Cakras, "rodas" – são sete centros psíquicos: os chacras da base, da sexualidade, do plexo solar, do coração, da comunicação, do conhecimento e da coroa. São pontos onde existe uma correlação entre a energia psíquica e energia física em nosso corpo.

Existem outras Lições de Meditação que vão sendo ministradas com o tempo, juntamente com a prática do aspirante espiritual. A cada Lição, ou Iniciação, o Caminhante vai aprofundando mais e mais seus conhecimentos de espiritualidade e da própria meditação.

A Primeira Lição – ou Iniciação -, chamada de Iishavara Pranidhana, é mais dedicada a Muladhara Cakra, ao chacra básico situado na extremidade da espinha dorsal, aquele que nos liga mais diretamente ao Planeta Terra, á materialidade, à encarnação. É nesse chacra que está a Kundalini adormecida e que é despertada com a Iniciação.

Iishvara significa "o controlador de todas as vibrações (físicas, psíquicas e espirituais) do universo" e Pranidhana significa "compreender claramente" bem como "adotar algo como seu abrigo". Iishvara Pranidhana significa, então, a aceitação da Consciência Cósmica como o ideal e meta da existência.

Nesta Primeira Lição, aprende-se a retirar a mente do ambiente físico e do próprio corpo, elevando-a até alcançar a Consciência Cósmica e com ela se fundir. Se elevada apropriadamente, a mente alcança um estado de infinita bem-aventurança.

A Segunda Lição ou Iniciação – chamada de Madhuvidya ou Doce Conhecimento – traz ao Caminhante a libertação das ataduras do ego em suas ações bem como apresenta a qualidade do discernimento, Viveka. É a consciência constante de que tudo é manifestação da Suprema Consciência. É tempo de maior manifestação do chacra da sexualidade, da reprodução da vida – Svasdhisthana Cakra.

A Terceira Lição ou Iniciação ensina ao Caminhante os caminhos para o aprofundamento de sua concentração – Tattva Dharana, quando é possível identificar as características fundamentais de cada chacra em relação ao som, forma e cor. É um momento de regulação da fluência de energia no corpo e na mente. É tempo de maior manifestação do chacra do umbigo, aquele que nos liga da terra ao céu – Manipura Cakra.

A Quarta Lição ou Iniciação – Pranayama – mostra ao Caminhante a inter-relação entre o Pranah (a força vital) e a mente, a conexão entre a respiração e a mente. É tempo de maior manifestação do chacra do coração, da emoção e do sentimento expressos pela mente – Anahata Cakra.

A Quinta Lição traz ao Caminhante uma intensa purificação de todos os seus chacras, corpo e mente, através da entoação de mantras e da força da mente – Cakra Shodhana. É tempo de maior manifestação do chacra da expressão, da comunicação, da interação entre o ser e os outros seres e a natureza – Vishudda Cakra.

A Sexta Lição ou Iniciação é Dhyana, a pura contemplação. Nesta Lição tudo é canalizado em direção à meta espiritual, sendo o Amor Cósmico a maior força neste sentido. Neste momento, a meditação acontece simplesmente, naturalmente, sem qualquer esforço. É tempo de maior manifestação do chacra do Conhecimento – Ajna ou Jinana Cakra.

O Conhecimento, aliado à Ação e à Devoção (Jinana, Karma e Bhakti), perfazem o caminho perfeito para a realização da Liberação (Mukti). A realidade é que, neste estágio, é a Devoção que a tudo permeia.

A Kundalini já se encontra totalmente amadurecida espiritualmente trazendo purificação à mente e ao corpo de forma que a maior força mental é o grande amor ao Supremo, direcionando a mente à sua meta final, a fusão com a Consciência Suprema.

Sendo sete os chacras, a Iniciação após a sexta e última iniciação, é uma Lição a ser ministrada já diretamente por altas esferas hierárquicas, altas dimensões da Espiritualidade – por se tratar do chacra Coronário, a Flor de Lótus da Iluminação – Sahasrara Cakra. Esse é o lugar do Guru.

               Também a Sexta Lição ou Iniciação, traz a completude da Estrela de Seis Pontas – assim no Céu como na Terra. Aqui, o homem torna-se Homem Sagrado.

A Sétima Lição ou Iniciação – que pode ser considerada como a Iniciação Solar -, traz a esse Homem Sagrado o verdadeiro exercício de seu Dharma e seu Livre-Arbítrio, ou seja, pode tornar-se uma Semente Queimada e não mais retornando à Terra através da Samsara, a Roda da Vida,... ou pode tornar-se verdadeiramente um Bodhisattva, um ser de compaixão que não ascenderá aos céus antes que todos os seres tenham encontrado seus Caminhos de Iluminação e de Liberação ou Imortalidade...

A vida humana é curta.
É aconselhável que tomemos todas as Lições em relação à Sadhana o mais breve possível.

(Sadhana significa nosso trabalho do cotidiano no Planeta baseado na conscientização maior em relação à encarnação e sua Missão a ser cumprida, a meditação e o trabalho espiritual)

Assim nos aconselha Srii Srii Anandamurti, o Mestre do Tantra primordial e do Caminho da Bem-Aventurança.
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A Primeira Iniciação, no entanto, já prepara o Caminhante para iniciar seu caminho em direção à Iluminação e à Liberação, fornecendo-lhe todos os instrumentos necessários para a realização de sua jornada espiritual, podendo, portanto, trilhar seu caminho confiando em sua força pessoal e em sua forte determinação.

Lao Tsé, o Mestre do Tao, nos diz em seu Capítulo 64 do Tao Te Ching:

Uma longa viagem começa com o primeira passo

Ao Leitor/Caminhante: o Texto acima é de autoria de Janine Milward ₢2004. Se você quiser copiar ou encaminhar, faça sempre na íntegra e sempre mencionando sua autoria e seus direitos reservados. Obrigada e Namaskar, eu saúdo você com minha mente e com meu coração.