Imortalidade ou Impermanência

Ao Leitor/Caminhante
o Texto abaixo é de autoria de Janine Milward ₢2004.
 Se você quiser copiar ou encaminhar, 
faça sempre na íntegra e sempre mencionando sua autoria e seus direitos reservados. 
Obrigada e Namaskar, eu saúdo você com minha mente e com meu coração.


 Imortalidade
... ou Impermanência

Janine Milward

A meu ver, imortalidade é a conscientização do vivenciar o Mundo da Manifestação e o Mundo da Não-Manifestação em seu revirão: mente e vida infinitas e iluminadas.  É a conscientização da Impermanência, da Eterna Mutação, a lei única do Mundo da Manifestação.

Essa conscientização, aparentemente, pertence ao homem, aquele que possui a mente e a possibilidade infinita de expansão da mesma.

Essa vivência pertence à totalidade da Criação, porém.  Apenas que, aparentemente, é o homem - a partir de sua mente plenamente expansionada em infinitização e iluminação da consciência -, aquele que não somente percebe essa vivência como também faz dela seu objetivo de vida, ou seja, tornando essa mesma vida plenamente expansionada em infinitização e iluminação.

Sendo assim, a imortalidade se dá na medida que a Criação está sempre realizando o Ciclo de Brahma, ou o Retorno como movimento do Caminho, o Tao.

Imortalidade, é então, a conscientização do homem ao tornar-se Homem Sagrado e conscientemente, vivenciar o Ciclo de Brahma ou o Retorno como movimento do Caminho: do sutil ao denso e do denso ao sutil, da não-existência à existência; da existência à não-existência. A Impermanência.

Não podemos pensar que o Tao, o Caminho, a Suprema Consciência,  seja algo apartado de você, de mim, de todo o resto da Criação.  Não.  Não podemos dizer que a Criação é simplesmente uma ilusão, Maya... porque a Criação existe!  A Criação existe a partir da sua e da minha consciência sobre a existência dessa mesma Criação, que nos inclui, certamente! Não somente a Criação existe a partir da nossa conscientização sobre a mesma como também o próprio Criador existe a partir dessa mesma Criação, ou seja, somos nós, você e eu, quem criamos o Criador: é o homem com sua expansão de mente que realiza a conscientização sobre a Criação e sobre o Criador.

Porém, sempre algumas questões permanecem: por que criamos o Criador? de onde a Criação vem? Como e quem possibilitou a Criação ser criada? O Criador que criamos... é o verdadeiro Criador da Criação?  Por que conseguimos, aparentemente, compreender sobre o começo e o final... mas nada conseguimos compreender sobre o antes do começo e sobre o depois do final? Por que, mesmo com o avanço do conhecimento como um todo, essas perguntas permanecem as mesmas desde sempre (e para sempre?)?

Mesmo o Homem Sagrado – aquele que realmente tem o poder de criar  e re-criar a Criação (por ser a mente estrutural de criação da mesma em função de sua fusão com o Tao da Criação) – não sabe realmente responder, com todas as letras e palavras, essa pergunta...  Não podemos nos esquecer que Lao Tsé está sempre nos avisando:

O Caminho que pode ser expresso não é o caminho constante (4)


Mesmo que o Homem Sagrado tenha o seu poder de criar e re-criar a Criação, sempre estará sendo tutelado pelo Tao da Criação. A conscientização do pertencimento e da vivência do revirão entre o Mundo da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação não libera o Homem Sagrado de pertencer ao Retorno como movimento do Caminho.  Ou seja, mesmo sendo Homem Sagrado, continua fazendo parte – certamente com conscientização e vivência da mente e vida iluminadas e infinitas - do processo de Eterna Mutação.

A Imortalidade, então, é a Impermanência.

Somente o Tao não faz parte da Eterna Mutação. O Tao é a única expressão da não-mutação. O Tao está ainda para além do Mundo da Não-Manifestação... e no entanto, o Mundo da Não-Manifestação ainda apresenta sua não-mutação e sua plena interioridade – que dá berço ao Mundo da Manifestação com sua eterna mutação e sua interioridade e, fundamentalmente, sua exterioridade.

Assim, o Mundo da Não-Manifestação possui apenas plena interiorização e constância. Enquanto o Mundo da Manifestação, por estar contido dentro do Mundo da Não-Manifestação, possui exterioridade ao mesmo tempo que interioridade. E por possuir este duplo aspecto, está em constante estado de mutação: ora a Criação faz face à sua exteriorização, ora à sua interiorização. Porém, a Criação estará sempre contido dentro da plenitude da interioridade e da não-mutação do Mundo da Não-Manifestação, que advém do Tao.           

Podemos, então, dizer que a Imortalidade pertence ao Mundo da Não-Manifestação e que pode ser compreendida como Impermanência, dentro do Mundo da Manifestação – mesmo que tenha o sentido de mente e vida iluminadas e infinitas.

Apenas a imortalidade existe... assim como apenas o Tao, o Caminho, a Suprema Consciência, o Vazio, existe. Toda a Criação é contida na absoluta interioridade do Tao, o Caminho.  E não existindo qualquer exterioridade no Tao, ou qualquer mutação, apenas a imortalidade existe... assim como apenas o Tao, o Caminho, a Suprema Consciência, o Vazio, existe.

O Caminho é o Vazio
E seu uso jamais o esgota (3)

Os seres sob o céu nascem da existência
E a existência nasce da não-existência (6)


O Revirão entre a Não-Existência e a Existência

Janine Milward
           
            O Mundo da Não-Manifestação é um estado puro de onde se origina a Criação advinda do Mundo da Manifestação. Ao surgir a manifestação dos primórdios da Criação, com ela se objetiva a Mente Cósmica. Assim, a Mente Cósmica é uma objetivação para agir e nomear a Suprema Consciência dentro do Mundo da Manifestação... surge Brahma, a Consciência Cósmica, literalmente "O Grande".  Sob o Tao, podemos nomear essa Consciência Cósmica como o Rei Celeste.

Existe, então, o Mundo da Não-Manifestação, Nirguna Brahma ou Wu Chi– a Consciência Cósmica não-manifesta – que faz nascer o Mundo da Manifestação, Saguna Brahma ou Tai Chi– a Consciência Cósmica manifesta.

Brahma desmembra-se em dupla qualidade manifestada através de sua própria consciência objetivada em Eu Sou: Purusa. E através de sua capacidade, potencial ou objetiva, de manifestar sua capacidade de expressão: Prakrti, a energia cósmica.

Se retornarmos ao Capítulo O Tao e a Criação do Céu e da Terra,  veremos que o Sublime Pai gera toda a Criação trazendo a Luz da Vida através de seu sentar no Vazio, colocando-se no Revirão entre o Mundo da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação e assim propiciando a Sublime Mãe criar e re-criar a Não-Luz em toda a Criação, o universo, preenchendo os buracos do céu com estrelas e moldando seus filhos, tudo sempre a partir do barro....

A Luz gerada por Purusa em sua consciência objetivada, o Sublime Yang, traz a vida a tudo aquilo que Prakrti, o Sublime Yin, molda em sua energia cósmica: a Criação.

Assim, o Sublime Yang, a Luz, manifesta o Rei Celeste ou Brahma como sua consciência objetivada em Eu Sou, trazendo a Luz da Vida para a Criação que o Sublime Yin, a Não-Luz manifesta através de sua capacidade de expressão, a energia cósmica.


Tempo e Espaço

Janine Milward


            O Tempo é uma manifestação do Céu e o Espaço uma manifestação da Terra – assim como o Espírito é uma manifestação do Céu e do Tempo e a Alma, uma manifestação do Espaço e da Terra.

           O Tempo é um espelhamento do Mundo da Não-Manifestação desde que possui uma continuidade infinita... assim como é imajado através o Sublime Yang em sua linha contínua: __________

           O Espaço é um espelhamento do Mundo da Manifestação desde que possui uma infinita possibilidade de manifestações... assim como é imajado através o Sublime Yin em sua linha vazada: ___   ___

           O tempo é infinito porque é herdado de universo para universo, desde o Tao, que está para além do tempo.

          O espaço é finito porque vai se metamorfoseando sempre, se desenvolvendo, nascendo, vivendo e morrendo: num momento cabe dentro de uma semente, em outro momento explode revelando o tempo e espaço; andando, andando, andando, até que toda a matéria ao qual a Luz da Vida aderiu, termine.

          No entanto, a Luz da Vida permanece e através do tempo, cria um novo espaço. Esse espaço, no entanto, também pertence ao tempo e portanto é também infinito, na medida que, como uma semente, aguarda o Sopro Primordial do Tao fazendo o Criador voltar a realizar a Criação.

A Luz gerada por Purusa em sua consciência objetivada, o Sublime Yang, traz a vida a tudo aquilo que Prakrti, o Sublime Yin, molda em sua energia cósmica: a Criação.

Assim sendo, podemos compreender que o tempo é herdeiro de Purusa, em sua doação de vida, permitindo que o espaço se torne o herdeiro de Prakrti, moldando com sua energia cósmica a Criação.

Finalmente, Tempo poderia ser uma outra forma de expressarmos o Sublime Yang; enquanto Espaço poderia ser uma outra forma de expressarmos o Sublime Yin.


Espírito e Alma
Janine Milward

           Tempo e espaço, sendo Filhos do Tao, O Caminho, se perpetuam .... É o Tudo da Criação, que num momento parecer ser o Todo e em outro momento parece ser o Nada.

            Poderíamos, também, compreender que Tempo, Sublime Yang, Espírito, seriam outras formas de expressar Purusa, o Rei Celeste, a consciência objetivada dentro do Mundo da Manifestação, a geração e doação da Luz e da Vida.

            Da mesma forma, poderíamos, também, compreender que Espaço, Sublime Yin, Alma, seriam outras formas de expressar Prakrti, a Mãe Misteriosa, o princípio operativo da Criação através de sua energia cósmica dentro do Mundo da Manifestação, a criação da Vida através da Não-Luz.

          Nosso espírito, então, é parte desse todo de universos, desse Todo do nosso universo – nosso espírito é tão antigo quanto nosso universo porque certamente nasceu junto com ele, semente que éramos nós e o resto do universo. E hoje, depois de cerca de quatorze bilhões de anos de vida de nosso universo – somos ainda tão jovens, ainda entrando na adolescência do universo.... – somos as mesmas sementes oriundas da explosão inicial da semente primordial que deu luz ao nosso universo.

          Assim, nosso espírito vem vindo de estrela em estrela, acoplando sua luz e não-luz à matéria – luz é matéria – e fusionando nesse espírito uma mente que vai se ampliando e acumulando a memória do próprio universo – a alma. Nosso espírito é a Luz que dá Vida à matéria, mente, à encarnação, ao nosso corpo físico. A alma é aquela que modela essa vida e a torna vivente.

          Nosso espírito é anterior ainda a esse nosso universo e a todos os possíveis universos.... porque é parte unitária da Unidade Absoluta do Tao da Criação. Nossa alma é anterior ainda a esse nosso universo e a todos os possíveis universos... porque é a parte coletiva fusionada à Unidade Absoluta do Tao da Criação.

           Nosso espírito possui – anteriormente e posteriormente – a eternidade do tempo e espaço do universo em que vivemos mas nosso corpo físico possui a duração do tempo e do espaço do planeta aonde encarnamos, onde a matéria acolhe nosso espírito que traduz a Vida essencial do Tao – e nossa alma que traduz o Sopro Primordial da Criação, o Pranah, Chi, o fole universal, a força vital.... mesmo que o corpo físico seja produto da metamorfose estelar desde o início deste universo.... que por sua vez já é a metamorfose de um universo anterior... numa Eterna Mutação.

          A alma vai trazendo consigo o fusionamento entre o espírito e a matéria, a cada tempo e espaço em que ambos se apresentam na Criação, seja na Luz ou seja na Não-Luz.  Dessa forma, a alma é a própria memória que a mente carrega consigo desde antes desse universo em seu tempo de Não-Luz, durante a vida desse universo em seu tempo de Luz, e certamente depois desse universo, novamente em seu tempo de Não-Luz.

         No entanto, diferente do espírito que possui a infinitização do tempo imajada na linha contínua do Supremo Yang, a alma é certamente também infinita porém apresenta-se em sua finitude de espaço imajada na linha vazada do Supremo Yin.  Ou seja, a cada materialização de Luz ou Não-Luz, a alma assume o tempo e o espaço dessa materialização.  Dessa forma, podemos dizer que a alma é a própria biblioteca do universo, realizando a mente em seu Ciclo de Brahma, do sutil ao denso, do denso ao sutil – ao longo de sua incontável e infinita possibilidade de manifestação dentro do Eterno Retorno do movimento do Caminho.


Urdimento e Trama do Tear do Criação

Janine Milward

O céu é constante, a terra é duradoura
o que permite a constância e a duração do céu e da terra
é o não criar para si
por isso são constantes e duradouros
assim, o Homem Sagrado deixa seu corpo para trás
e o Corpo avança
além do corpo, o Corpo permanece
através do não-corpo, conclui o Corpo (5)

           O tempo é filho do Criador e o espaço é filho da Criação. Criador e Criação são filhos do Tao, o Caminho.

            Sabemos apenas que você e eu, nós somos um espaço materializado dentro de um determinado tempo – em nosso corpo físico.

          A Iluminação da Consciência nos traz essa certeza, ou seja, traz Luz à nossa Não-Luz do espaço finito.

           A Liberação ou Imortalidade nos devolve a Luz intrínseca ao tempo infinito. Dessa forma, nos tornamos urdimento e trama do tear do universo.


A Semente Queimada e Voto do Bodhisattva

Janine Milward

           O Homem Sagrado é aquele que é considerado "Semente Queimada" (aquele que não mais possui Karmas nem Samskaras), ou seja, uma semente que não mais encarna no mundo dos homens submetidos à re-encarnação. Aqueles que ainda não expandiram sua mente em consciência iluminada são homens "Sementes que Nascem de Novo" (porque ainda possuem Karmas e Samskaras).

           Certamente que temos que compreender, no caso da Semente Queimada, que, a este nível de consciência, o Homem Sagrado pode decidir-se por si mesmo se deseja ainda continuar encarnando neste Planeta para tornar-se um Bodhisattva (um Ser de Compaixão que faz seu voto de não deixar a re-encarnação neste nível até que a última alma seja salva)... ou se deseja tornar-se um mentor invisível do Planeta, do Sistema Solar, da Galáxia... ou se deseja tornar-se a Luz e a Não-Luz contidas numa semente que nasce de novo, dando berço a uma nova estrela, a um novo sistema solar, a uma nova galáxia,  a um novo universo...

           A "Semente Queimada" é como se fosse o universo, ou uma estrela, ou uma galáxia, que chega ao seu final, como uma semente amorfa e plena de escuridão... que no entanto, apenas guarda o espaço e tempo trazidos pelo Tao para explodir e formar um novo universo. A "Semente que nasce de novo" continua a fazer parte da Luz e da Não-Luz do universo... até que se torne "Semente Queimada".



Eu Sou a Consciência Cósmica, a Consciência Cósmica Sou Eu

Janine Milward

           Sinto, portanto, que o espírito – A Luz – nasce junto com o universo e com ele caminha até o final desse mesmo universo... tornando-se Não-Luz... como a escuridão da semente que apenas aguarda o momento adequado para voltar a ser Luz, ou o momento da explosão e da criação de um novo universo, criando novo tempo e espaço. A verdade é que o espírito e a matéria que o contém significam o próprio universo, eles são a fusão do universo.

Assim, mesmo que um universo morra e se decomponha por completo... não estará se tornando o húmus que tonifica a semente que se abrirá em novo universo? Essa é a alma da Criação.

            E não é verdade que são o espírito, a alma e a matéria em Luz e Não-Luz contenedores da vida e da mente condensadas a partir da Mente Cósmica que por sua vez é criada pela Consciência Cósmica, a Suprema Consciência?

           Sendo assim, nosso espírito, nossa alma e nossa mente são a própria Consciência Cósmica.

Eu sou a Consciência Cósmica; a Consciência Cósmica sou eu



Baba Nam Kevalam

A Consciência Suprema a tudo permeia

Com um abraço estrelado,
Janine Milward

Ao Leitor/Caminhante
o Texto acima é de autoria de Janine Milward ₢2004.
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Obrigada e Namaskar, eu saúdo você com minha mente e com meu coração.