Algumas Primeiras Palavras



Tao é o Caminho.  
Te é a Virtude da realização do Caminho.

Tantra é a liberação das ataduras da ignorância de forma que possamos bem praticar a Virtude, Te, e nos conscientizarmos de nosso Caminho, Tao.

Tantra também significa a força e a coragem necessárias para que possamos superar os obstáculos da vida, sempre orientados pelo Sublime Caminho e pela Sublime Virtude


Lao Tsé, o Mestre do Tao, nos revelou toda sua sabedoria em seus 81 poemas contidos em seu Livro do Caminho e da Virtude, o Tao Te Ching. Sendo Tao o Caminho, o Te é compreendido como a Virtude - toda nossa ação e prática de vida no sentido de bem nos orientarmos em nosso Trabalho e em nossa Iluminação.

Srii Srii Anandamurti, o Mestre do Tantra, nos revelou toda sua sabedoria através de seus ensinamentos sobre o Caminho da Bem-Aventurança, sobre como devemos nos liberar da ignorância que nos ata em toda nossa ação e prática de vida no sentido de bem nos orientarmos em nosso Trabalho e em nossa Iluminação.

Possivelmente, o Tantra surgido na antiga Índia seja ainda mais antigo do que o Tao surgido na antiga China. Pessoalmente, eu sinto e apreendo os ensinamentos do Tao bastante voltados para nossa base estrutural do pensamento e da iluminação da mente (e da ação no trabalho, certamente, por que não?). E sinto os ensinamentos do Tantra mais voltados para nossa base estrutural da ação no trabalho (e da iluminação da mente, certamente, por que não?).

 A proposta deste livro – O Caminhante Caminhando o Caminho - é de nos conscientizarmos mais e mais e a cada momento de nossa vida, em relação a tudo aquilo que é apenas efêmero, transitório, passageiro, em constante mutação, e a tudo aquilo que é eterno, imutável; e de nos fazer olhar para o princípio, para o durante, e para o fim de tudo na natureza do céu e da terra, com o mesmo olhar... porque tudo, em verdade, faz parte de um ciclo... até a própria criação da Criação... , e orientar nossas ações e nossos passos voltados para a iluminação e infinitude de nossa consciência bem como a iluminação e infinitude de nossa vida.

 Esses são o Caminho da Iluminação e o Caminho da Liberação ou Imortalidade.

Caminho e Semente

 Caminho é a palavra através da qual minimamente e maximamente podemos expressar o Tao – como assim nos ensina Lao Tsé:

Eu não conheço o seu nome
Chamo-o de Caminho (1)

 Um caminho pode ser curto; outro pode ser longo. Não importa.  Importa é sabermos que sempre ao terminarmos um caminho, seja ele breve ou seja ele uma longa jornada..., outro caminho se abre à nossa frente! Para frente e para trás, segue o Caminho

 Os caminhos não terminam nunca, essa é que é a verdade. Quando um caminho parece terminar, é seguido por outro e mais outro, infinitamente. E existem caminhos e caminhos, para todos os gostos, para todos os caminhantes, para todo o caminhar.

 O caminho, porém, só tem sentido se for caminhado; se nele existir um caminhante vindo de algum lugar, indo para algum lugar.

 O sentido do caminho se deve, então, ao tempo e ao espaço que permitem sua existência e fundamentalmente, esse sentido se deve ao caminhante do tempo e do espaço que nesse caminho caminha...

 Caminhantes somos todos, toda a natureza:  a Criação. Tudo na Criação, tudo, tudo, caminha seu caminho - caminhante que é a Criação.

Uma longa jornada se inicia debaixo dos pés (2)

 Assim, você e eu caminhamos, a Terra caminha, nosso Sol e todas as outras estrelas caminham...  Nossa Galáxia caminha juntamente com suas irmãs, primas, parentes distantes, mais velhas ou mais jovens...  Nosso  Universo caminha criando o tempo e o espaço ao longo do seu caminhar, dando berço certamente a outros universos e os encaminhando em seus caminhos, gestando-os e os deixando soltos em seus próprios caminhos e em seus próprios modos de caminhar...

 De repente..., parece que o caminho termina: do universo que começou com uma explosão de luz e caminhou em tempo e espaço ao longo de mesmo tempo e espaço criados, criando mais tempo e espaço, sempre com luz e não-luz, luz e não-luz, luz e não-luz, nascendo, crescendo, vivenciando a re-criação de luz e não-luz, morrendo enrodilhado em si mesmo ou em explosão dantesca, continuando seu caminhar através do tempo e do espaço, criando mais luz e mais não-luz.... até que finalmente, termina, sem mais luz nem mais não-luz, apenas um grande vazio...

 Termina?

 Por que haveria de terminar ou porque haveria de nascer? .... Se este universo, nosso universo, mudou somente sua  forma de ser?

 O caminho é, então, compreendido como uma eterna mutação – porém sempre existindo, seja em seu vazio, seja em sua luz e em sua não-luz.

 Quando o caminho se encontra em seu momento de luz e de não-luz, podemos compreender que o Tao, o Caminho, desdobrou-se em Criação.

 Quando o caminho se encontra em seu momento de vazio, podemos compreender que o Tao, o Caminho, apenas reflete minimamente e maximamente sobre si mesmo..., em sua própria natureza.

 Porque pode o homem não somente trilhar esse caminho – assim como o faz toda a Criação – porém pode, também e fundamentalmente, pensar sobre o caminho, manifestar seu desejo de trilhar o caminho, colocar sua vontade de caminhar em ação sendo realizada, e finalmente, sentir o sentimento de cumprimento de seu  destino de ter caminhado seu caminho..., o homem – aquele que usa e trabalha a expansão de sua mente -  torna-se o próprio Caminho.

 Por isso, Lao Tsé, o Mestre do Tao, o Caminho, nos orienta:


O homem se orienta pela terra
A terra se orienta pelo céu
O céu se orienta pelo Tao (o Caminho)
O Tao (o Caminho) se orienta por sua própria natureza (1)

              Srii Srii Anandamurti, o Mestre do Tantra, nos consola:

A força que guia as estrelas, guia você também
           
 Toda a Criação realiza seu caminho conjuntamente. E por que é assim?  Por que toda a Criação é sempre Criação, mudando apenas sua forma de ser, ao longo do tempo e do espaço que a própria Criação vai criando.

 É como se fosse – e é – uma semente, que em um tempo e espaço contém somente a si mesma, apenas plenamente interiorizada, sem manifestar qualquer exteriorização.  E em outro tempo e espaço, explode em vida, exteriorizando-se plenamente – embora sempre contida dentro da semente original...

 Penso que Caminho  e Semente bem expressam os conceitos primordiais do Tao e do Tantra.

 Sendo assim, você e eu, Caminhantes caminhando o Caminho, pertencemos à aquela semente do vazio do vir-a-ser da luz e da não-luz.  Pertencemos à grande explosão da luz e da não-luz que fazem criar o tempo e o espaço: somos a luz e a não-luz e ao longo do tempo e do espaço, somos a metamorfose, a mutação constante, dessa luz e dessa não-luz, desse tempo e desse espaço, contados e recontados em vida e morte, vida e morte, vida e morte.... restando apenas a eternidade da vida – ou da morte, como quisermos, porque tudo é, na verdade, a mesma coisa: simples estados, simples formas de ser momentâneas e espaciais.  Apenas isso.

 Convido você, Caminhante, a trilhar os caminhos das páginas seguintes, e quem sabe eu seja bem-sucedida em mostrar a você como a Terra o orientará em seu Caminho; como o céu orientará a Terra onde estamos agora encarnados; como o Céu será orientado – juntamente com a Terra e conosco: a Criação -,  pelo Tao;  e, finalmente, como o Tao se orienta por sua própria natureza.

A autora,
Janine Milward